New Lautrec, por De Castro Pinto

De Castro Pinto - New Lautrec (desenho cego)

Após anos de pintura ao natural, quer seja o Rio antigo, ou as primeiras olarias das Três Lagoas, minha terra natal, ou os três mil desenhos do litoral na Ilha Grande, encontro-me diante de um horizonte restrito ao reflexo de meu próprio rosto. Nascem então inúmeras possibilidades, tudo se reflete no suporte úmido, no espontâneo gesto.

Tal qual uma caravana no deserto; sem pressa e sem pausa; ”sê e assim foi”.

“Um olhar nômade” é o resultado desta busca estética. Eis os recentres alentos de espremido gozo do meu ser essencial.
De Castro Pinto

Um Olhar Nômade, por André de Miranda

O Super feminino, desenho cego, de De Castro Pinto

“Diz-se de tribos e raças humanas que não têm pouso fixo e vagueiam errantes”, mas De Castro Pinto, eterna buscadora, transfere seu olhar em cada gesto, em cada linha; ultrapassa os limites da leitura visual do desenho e transpõe na pintura: seu próprio rosto.
   Parte do desenho cego, não se intimida com a cor. Concentra-se em suas mulheres. Percebe duplo movimento, desconstrução. Foras de foco, narrativas, criatura e criador. Espaço legítimo quando percebe o significado verdadeiro da visão da natureza humana.
   Uma resposta à questão do que acontece quando realizamos a ideia de se auto-retratar, engajando-se na ação. Diferenças deste olhar são provenientes da filosofia das experiências.
   A figura de Cecilia De Castro Pinto se auto-sustenta, se cuida, desenvolve um sistema imunológico “altamente” resistente a todo tipo de “mau-olhado”, pois nela a autonomia do amor existe.
 
André de Miranda
Artista visual

Walmir Ayala disserta sobre De Castro Pinto

Logo Castro Pinto

Com o nome viril de De Castro Pinto, uma nova pintora inaugura uma nova galeria no Leblon, a Galeria Contemporânea. Um espaço que nasce programado por dois jovens empresários que acertam plenamente como marchands ao escolherem Maria Cecília De Castro Pinto para inaugurar sua sala. Depois do pânico exagerado que tomou conta das galerias mais experientes, em torno de investidas ficais nada realistas, é de se sentir a retomada ao trabalho, o arregaças das mangas, e a obstinação de novos bandeirantes neste campo nunca exaurido da transfusão cultural que o tempo não detém, a despeito de todas as intempéries.

     De Castro Pinto, por sua vez, nos traz uma demonstração triunfante do domínio do ofício, lançando desafios e concretizando metas, no processo de um trabalho que vem da escolaridade artística, ao trabalho de equipe em atelier. Tudo nela é determinação e segurança. Aluna de Frank Schaeffer, há ressonâncias do mestre na composição e no veludo da cor. Mas De Castro Pinto põe seu sal  na terra  tratada pelo exercício constante. Menos romântica, até mesmo severa em seu tratamento das naturezas mortas, seu trabalho constitui um reflexão sobre a matéria, e envereda por aquilo que Mairaux caracterizaria, referindo-se a Bracque, como a “destruição da imitação”. Objetos, garrafas, cálices, frutas, rosetas, engrenagens, são figuras aproximadas, como pretextos pretexto para a utilização fulgurante da cor nos guaches; a transfiguração da leveza de afresco na pintura a cera; e a tensão despojada na pintura a óleo. Todos estes estágios técnicos estão ligados por uma coerência de visão, concretizando o magnetismo visual que é a vitória de uma proposta pictória. A sabedoria de lançar a cor, os contrapontos de branco, a esquematização frequente das estruturas espaciais entre figuras e abstração, em tudo o toque emocionado e emocionante de uma pintora que transforma a possível delicadeza em energia e pisa firme no terreno profissional a partir desta data. O teor dramático destas visões do real, por vezes extrapoladas num clima de fantasia, refaz o mistério da criação, num toque imediato sobre a natureza do visível. Nela, o que se vê está muito além, ou muito antes; os temas são signos de um trânsito carismático; e mesmo o que se mostra excessivo na pesquisa do campo de determinada fronteira ótica, é sintoma da potencialidade e um caminho apenas esboçado, e que nos autoriza o louvor e a certeza de estar propondo um novo artista.
Walmir Ayala

Trajetória de Maria Cecilia De Castro Pinto


Maria Cecilia de De Castro Pinto

Cecília nasceu em Campo Grande e viveu em Três Lagoas, ambas cidades do Mato Grosso do Sul. Formou-se em pintura e desenho na Escola Nacional de Belas Artes, em 1973, e frequentou ainda estudante o Atelier de Frank Shaeffer, artista com quem passou a compartilhar as experiências em terra e no mar. Desta parceria foram gerados 3.000 desenhos da costa de Ilha Grande-RJ. Durante 50 anos de atividade, em que teve premiações e diplomas de Hors Concours, desenvolveu várias formas de expressão e lecionou Arte em instituições e em cursos livres. Segue como pintora, criadora de novas linguagens artísticas. Integra atualmente o Telas da Serra Atelier de Artes.

Facebook: Cecilia de Castro Pinto

Trajetória de Carlos Suárez (Sarlanga)

Carlos Suarez (Sarlanga) - O artista em seu atelier em São Pedro da Serra
O artista em seu atelier em São Pedro da Serra


Natural de Quilmes, Carlos Suárez iniciou sua vida como artista pintando e fazendo trabalhos em estúdio gráfico de Artes Visuais na capital Argentina, Buenos Aires. No Brasil, atuou também como design de peças de couro, tendo fabricação própria, e também como artesão em Relêvo em cavo sobre madeira. Nos últimos anos tem se dedicado à pintura, inspirando-se no aprendizado em escola de arte na cidade de Uskuldar, na região de Istambul, onde desenvolveu especial aprendizado em diagramas e formas orientais de iluminuras. Residente em São Pedro da Serra, mescla sua visão e experiências artísticas em suas obras, unindo Ocidente e Oriente.