Walmir Ayala disserta sobre De Castro Pinto

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Com o nome viril de De Castro Pinto, uma nova pintora inaugura uma nova galeria no Leblon, a Galeria Contemporânea. Um espaço que nasce programado por dois jovens empresários que acertam plenamente como marchands ao escolherem Maria Cecília De Castro Pinto para inaugurar sua sala. Depois do pânico exagerado que tomou conta das galerias mais experientes, em torno de investidas ficais nada realistas, é de se sentir a retomada ao trabalho, o arregaças das mangas, e a obstinação de novos bandeirantes neste campo nunca exaurido da transfusão cultural que o tempo não detém, a despeito de todas as intempéries.

     De Castro Pinto, por sua vez, nos traz uma demonstração triunfante do domínio do ofício, lançando desafios e concretizando metas, no processo de um trabalho que vem da escolaridade artística, ao trabalho de equipe em atelier. Tudo nela é determinação e segurança. Aluna de Frank Schaeffer, há ressonâncias do mestre na composição e no veludo da cor. Mas De Castro Pinto põe seu sal  na terra  tratada pelo exercício constante. Menos romântica, até mesmo severa em seu tratamento das naturezas mortas, seu trabalho constitui um reflexão sobre a matéria, e envereda por aquilo que Mairaux caracterizaria, referindo-se a Bracque, como a “destruição da imitação”. Objetos, garrafas, cálices, frutas, rosetas, engrenagens, são figuras aproximadas, como pretextos pretexto para a utilização fulgurante da cor nos guaches; a transfiguração da leveza de afresco na pintura a cera; e a tensão despojada na pintura a óleo. Todos estes estágios técnicos estão ligados por uma coerência de visão, concretizando o magnetismo visual que é a vitória de uma proposta pictória. A sabedoria de lançar a cor, os contrapontos de branco, a esquematização frequente das estruturas espaciais entre figuras e abstração, em tudo o toque emocionado e emocionante de uma pintora que transforma a possível delicadeza em energia e pisa firme no terreno profissional a partir desta data. O teor dramático destas visões do real, por vezes extrapoladas num clima de fantasia, refaz o mistério da criação, num toque imediato sobre a natureza do visível. Nela, o que se vê está muito além, ou muito antes; os temas são signos de um trânsito carismático; e mesmo o que se mostra excessivo na pesquisa do campo de determinada fronteira ótica, é sintoma da potencialidade e um caminho apenas esboçado, e que nos autoriza o louvor e a certeza de estar propondo um novo artista.
Walmir Ayala

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